sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FARRAZINE IMAGINE!

" Stephen Strange suava frio enquanto seus olhos acompanhavam o relógio.
Ele ainda tinha seis horas. Seis horas antes do fim, quando o Demônio viesse buscar sua alma...”

Desenho do Mainardi

Imagine Nano Falcão criando Dr. Estranho” é um conto com uma visão perturbadora de como o Mago Supremo seria se escolhesse um caminho, digamos assim, diferente.

Trazido até vocês pela união de Nano Falcão (texto), Mainardi (desenhos) e Kio (diagramação).

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Isabelle Caro, 28 anos, morta.



Pois a modelo Isabelle Caro faleceu recentemente, a 17 de novembro. Por uma dessas coisas que são difíceis de explicar, sua morte só foi divulgada 29 de dezembro.


São, eu disse, coisas difíceis de explicar. Mas não impossíveis. Porque Isabelle é uma dessas coisas que se faz esforço para esquecer. Uma pessoa que faz questão de mostrar o aleijão moral e, com isso, faz com que percebamos nossos próprios aleijões. E ninguém gosta disso, certo?


Isabelle faleceu aos 28 anos. Ficou conhecida por posar nua em uma campanha contra anorexia. Isabelle chegou a pesar 25 quilos, com seus 1,65m. Ao morrer, pesava 42. Estava se recuperando, mas infelizmente isso só serviu para a piada: "morta, sim, mas parece tão saudável..."


Sua coragem será, se possível, esquecida. As fotos com o fashion esqueleto à mostra, macabras poses sexy, tinham a intenção de alertar para nosso distorcido senso estético e os danos possíveis a impressionáveis adolescentes. Sabemos como são adolescentes: inseguros e ansiosos por pertencer a algum lugar ou grupo. Que uma indústria da moda propague o corpo ideal como sendo o de uma pessoa doente é criminoso. E Isabelle, 28 anos, foi mais uma das vítimas dessa indústria.


O corpo de Isabelle, leve, leve, no caixão, é uma testemunha de nossa preguiça e de nossa inação. Preguiça de pensar, mesmo. De deixar que uma indústria determine nosso senso de beleza. De aceitar o que nos impõe como norma, como se ser parte de um padrão fosse algo louvável ou mesmo aceitável. Como se a individualidade fosse repreensível, e não algo raro e maravilhoso porque diverso - e a diversidade é riqueza.

Outro dia estava assistindo TV com a patroa e me deparei com um dos mais sádicos e tristes programas que já vi na minha vida. Outro desses programas era um da Xuxa, que oferecia uma operação plástica como prêmio (não sou xiita: acho que há casos em que uma cirurgia plástica - especialmente as de reconstrução - é um fator determinante da qualidade de vida do indivíduo, mas não creio que fosse o caso). Esse de que falo agora é O Esquadrão da Moda, e seu roteiro básico é um casal, uma mulher e um homem (nenhum dos dois tem cara disso), humilhando uma vítima a pedido de algum parente ou conhecido, e oferecendo dez mil reais para que essa pessoa mude o guarda-roupas.

É um sintoma do modo de produção sob o qual vivemos, não há dúvida: não somos indivíduos, somos consumidores, e essa postura torna mais fácil vender tralhas para uma fatia mais ampla da população. Antigamente a adolescência ia de treze até dezoito. Agora vemos crianças de onze agindo como adolescentes... e isso vai até os 50 (tiozinho da Sukita é a nova onda de comportamento do adulto moderno). A moda é ser jovem.

A capacidade de pensar criticamente sobre o assunto está em cheque, somos pressionados por todo canto para nos adequarmos a um padrão. Acabamos depositando nossos valores em coisas transitórias como beleza e moda. E no verão que vem temos que comprar tudo de novo: roupas, sapatos e beleza. Que beleza se compra. É o que todo mundo diz.

Plásticas, botox, maquiagem, perucas, máscaras de um tipo ou de outro, tudo para que você esqueça a criatura triste que está lá, embaixo de tudo aquilo. Você.

Em homenagem a Isabelle, 28 anos, morta, gostaria de postar aqui um vídeo que é uma obra de arte. Não porque nos faz felizes, não porque tem efeitos especiais. Porque nos faz pensar. Vi há um tempão e isso está mais atual do que nunca. Confira, que vale a pena.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

MUSIC DON'T STOP - Resenhas do Farrazine

Elvis PresleyAinda há espaço para o rei?

Muito já foi dito sobre Elvis e é indiscutível sua importância para a história da música ocidental. Sabemos de sua enorme influência sobre o rock como o conhecemos hoje, além de seus diversos e elogiados trabalhos com a música country e gospel. Mas nem todos sabem como e, mais importante, por que Elvis recebeu o “título” de rei do rock ‘n’ roll.

Nos anos 50, início da carreira do artista, ainda não se havia estabelecido um gênero chamado rock ‘n’ roll. De fato, o que existia era o já popular R&B e a música country, que fundidos tornaram-se o famoso “rockabilly”, o rock caipira, gênero musical no qual se enquadram vários dos primeiros sucessos do rei, como;

That’s all right”,


 “Blue Moon of Kentucky”,
 

Memphis, Tennessee”,


entre outros...
No entanto, Elvis estava longe de ser o único, e ouso dizer, longe de ser o melhor cantor de rockabilly da época. O que o diferenciava, porém, de artistas brancos como Pat Boone e Bill Haley era o “ato de rebeldia” realizado em quase todos os seus primeiros shows. Não, Elvis não arrebentou guitarras no palco (vide The Who), não ateou fogo a pianos (vide Jerry Lee Lewis), nem afirmou ser mais popular que Jesus Cristo (vide Beatles).

Elvis.....rebolou.












E é aqui que os fãs me atiram pedras, enviam cartas de ódio a minha casa e ameaçam me esfaquear enquanto durmo. Mas é a verdade, senhoras e senhores: Elvis virou o rei porque ele rebolou.

Algo tão inocente, especialmente quando nos deparamos com a música brasileira hoje e seus “performers”, como dançar enquanto cantava, fez com que o rei se destacasse entre os demais. Lembremos que a sociedade norte-americana do momento (e vamos ser honestos, também o resto do mundo seguindo seus moldes) era um tanto conservadora e extremamente puritana (como o é até hoje, ainda que se tente provar o contrário). Um jovem branco cantando e, principalmente, dançando como negro era certeza de corrupção da juventude. E corrupção implica em “algo que você não deveria estar fazendo”, portanto “proibido”, o que nos leva àquilo que os jovens mais idolatram nesse universo: a oposição.
Opondo-se à música ouvida por seus pais e às regras de comportamento, os jovens brancos norte-americanos puderam se distanciar mais e mais dos valores de então. Assim, algo tão banal como mexer os quadris fez com que Elvis se tornasse a voz daquela geração, representando a necessidade de busca pelo novo.
Mas quando nos encontramos em pleno século 21, o novo milênio à beira de completar uma década, bem, nada disso parece importar. É como se não houvesse nada poderoso o bastante para chocar e, assim, mobilizar a juventude. Como pode algo tão “arcaico” quanto à simples... música competir com o Playstation, por exemplo? Essa é minha pergunta.

E, pelo amor de Deus, isso não quer dizer que eu tenha alguma coisa contra o Playstation, longe de mim! A questão é: quem, com menos de 20 anos e em são consciência, quer ouvir Elvis Presley cantando seu rock caipira?

Pode uma canção como “Heartbreak Hotel” causar algum impacto hoje em dia? Ou mesmo a brega e ainda assim inesquecível “It’s now or never”? É quase impossível dizer. Eu poderia falar mais sobre Elvis, falar sobre sua carreira militar e seus trezentos e vinte e sete filmes havaianos. Eu poderia. Mas não vou. O Google pode fornecer essas informações. O que o Google pode não te dizer (talvez ele possa, mas não é provável) é que Elvis é único pela sua versatilidade imutável.

Como é que é? Explico.

A carreira do rei teve altos e baixos, suas músicas oscilaram do sexy R&B às baladinhas ingênuas, ao rock propriamente dito e até aos boleros pavorosos. No entanto, o artista sempre manteve o carisma inigualável em sua performance, seja e, gravações ou lives.

Há algo nas músicas desempenhadas por Elvis que podemos classificar como “sentimentalismo honesto” (favor não confundir com emo). O grande problema é que, na modernidade (sinônimo de praticidade), isso é ridículo, é simplesmente patético ser romântico (o que explica o ódio aos emos). Meu Deus! Como alguém é capaz de ligar Elvis aos emos? Sem pânico. Não há ligação direta. A diferença está na honestidade das letras, que combinadas à magnífica voz de Elvis (explorada e trabalhada em todo seu potencial apenas a partir de 1968), fizeram desse artista um ícone.
Falta honestidade na música pop hoje. Por essa razão, seria muito interessante se os jovens voltassem sua atenção, não só a Elvis, mas também aos seus contemporâneos, como Johnny Cash, Chuck Berry, e até mesmo o ótimo Hank Williams, pioneiro da música country e grande influência no estilo do rei. Talvez esses talentos notáveis possam trazer alguma espécie de impacto positivo sobre os adolescentes, nem que seja apenas no sentido de levá-los a perceber o poder de transformação da boa música. Gosto de pensar que, rebolados à parte, esse foi (e, se não permitirmos que morra) sempre será o verdadeiro legado do Sr. Elvis Aaron Presley.

Texto escrito por Jaqueline Scognamiglio para o Farrazine #10

Baixe a edição aqui ou leia online mesmo aqui




segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

TIRINHAS!!!

AS AVENTURAS DE HERÓIS DE FARRATOWN!

Apresentando The Zoom;
Apresentando também o Vingador Escarlate;
                                 

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

FARRAZINE ENTREVISTA; LILIAN MITSUNAGA



Creio que essa desastrada tentativa serve para mostrar a importância do letreiramento em uma história em quadrinhos. E quando falamos nas letras que preenchem aqueles balões de diálogos e textos, aposto minha coleção do Batman que o primeiro nome que virá à mente do leitor é o de Lilian Mitsunaga. Ao menos na mente do leitor mais experiente, na falta de expressão melhor. (Não, isso não significa que você colocará as mãos na minha coleção do Batman).
Faça um teste: Escolha uma revista qualquer, lá no fundo do seu baú. Em algum lugar você vai achar o nome dela!

Há quase trinta anos trabalhando nesta área, Lilian é praticamente sinônimo de letreiramento. Essa arquiteta de formação começou a trabalhar na Editora Abril em 1980, na criação de letras para as revistas em quadrinhos da editora. Para se ter idéia; em um tempo em que o trabalho era completamente manual, com nanquim sobre vegetal, Lilian letreirou a primeira edição de Batman da Abril; a primeira edição de Conan; e mais toneladas e toneladas de outros títulos da editora.
Ainda hoje ela continua na área, através de seu estúdio Lua Azul, que faz trabalhos tanto para a Abril, como para a Conrad, Compania das Letras, entre outras.
A diferença é que hoje a experiência no uso do bom e velho nanquim, deu lugar ao uso talentoso de softwares.

E nesta edição, temos a honra de apresentar uma entrevista com esse ícone dos quadrinhos no Brasil. Entrevista esta conseguida na raça e na coragem (também conhecida como cara-de-pau) do colega Beto “Palhastro” Brandão Pires.
* texto original de introdução de Marcelo Mainardi



FARRAZINE - Quero saber um monte de coisas! Mas só tenho algumas perguntas precipitadas. Se puder responder qualquer uma que seja...
Lilian Mitsunaga - Olá! Vamos lá. Vou responder algumas, ok?

FARRAZINE - Seu nome completo.
Lilian Mitsunaga - Lilian Toshimi Mitsunaga Farias

FARRAZINE - Alguma HQ mudou a sua maneira de ver o mundo?
Lilian Mitsunaga - Acho que nenhuma HQ poderia mudar a maneira de alguém ver o mundo, mas a somatória de tudo o que você ler durante a sua vida pode ajudar a compreender melhor as pessoas e as diferenças que nele existem. Cultura nunca é demais, seja ela em qualquer tipo de manifestação, inclusive os quadrinhos.

FARRAZINE - Que artista mais influenciou a sua carreira?
Lilian Mitsunaga - Acho que meus pais. Eles foram responsáveis pela minha educação e disciplina. Meu pai já é falecido, mas os dois pintaram quadros, aquarelas, retratos durante a vida toda e gosto de pensar que me espelhei neles. Talvez não seja a resposta que você esperava, mas nestes anos todos trabalhando com quadrinhos, não saberia apontar um quadrinista específico. Foram tantas revistas e, sinceramente, nunca parei pra pensar nisso. Não poderia esquecer minha irmã, Marli, uma arte-finalista de mão cheia e que me deu muitas dicas de quais penas usar para os trabalhos. Se alguém me influenciou, foi ela. Vivia dizendo pra eu fazer balões com peninha que ficavam mais bonitos e tal. Era verdade.

FARRAZINE - Que HQ você mais lê?
Lilian Mitsunaga - Sinceramente? A que eu estiver letreirando (risos). Bem, pra dizer a verdade, eu era consumista voraz de quadrinhos quando pequena. Aprendi a ler bem cedo e lia tudo o que caísse no meu colo, de fábulas dos Irmãos Grimm a HQs. Desde os 5 anos, lia Disney, as histórias do Mickey detetive, as grandes aventuras dos patos de Carl Barks (só mais tarde fui descobrir que eram dele as hqs que eu mais gostava), A Turma da Mônica e Super-Heróis. Meu irmão era sócio da biblioteca da cidade e me trazia sempre livros de histórias pra ler. O namorado da minha irmã mais velha fez uma pilha de quase um metro de altura com as revistas do Super-Homen, Superboy, Batman e trouxe pra eu ler nas minhas férias escolares. Eu lia tudo. A contradição é que, quando comecei a trabalhar com isso, parei de ler, por absoluta falta de tempo.

FARRAZINE - Dê um exemplo de uma HQ muito boa mas desvalorizada.
Lilian Mitsunaga - Não apontaria uma HQ, mas todos os artistas nacionais que precisam se desdobrar pra sobreviver.

FARRAZINE - Cite uma HQ que frustrou suas melhores expectativas.
Lilian Mitsunaga - A série Vagabond. Desenho fantástico que foi abandonada pelo autor.

***
Entrevistador:  José Alberto Brandão Pires

A entrevista completa saiu na edição número #11 que você pode terminar de ler online mesmo aqui

Se quiser baixar a edição, o link é aqui

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

DA SÉRIE: CONTOS DO FARRAZINE

O Velho

* Desenho de Mainardi

Era um dia frio de inverno, um desses em que o sereno começa a aparecer já no fim da tarde e o sol parece ter olhado para baixo, acordado e ido o mais distante possível da cambada de malucos do planetinha azul. Também era dia de jogo de futebol, embora o sol, o sereno e eu não pudéssemos ligar menos significado à coisa. Mas acontece que um amigo tinha chegado à cidade e, em vez de ficarmos em casa tomando vinho quente com canela e conversando (como sugeri), ele resolveu que era imprescindível que saíssemos e observássemos o movimento da rua. Um desses caras recém-divorciados que resolvem se considerar um presente de Deus para as mulheres e recuperar o tempo perdido, você conhece o tipo.

Aí, acabamos no segundo andar de um bar, ouvindo os gritos do térreo, onde estavam projetando o jogo em um telão. Eu não entendia como as pessoas podiam sair de casa em uma tarde daquelas para assistir vinte e dois caras tentando colocar uma bola através de quatro traves e se carneando no processo. Mas eu sou eu, e eles são eles. Uma filosofia que até então ninguém havia contrariado. Mas o mais chato não era o meu amigo fazendo olhares para meninas da metade da idade dele, nem os gritos que vinham de baixo. Era o velho.

Óculos de tartaruga, um enorme sobretudo preto, cabelo e barbas brancas e uma testa que daria pouso a mosquitos de qualquer capacidade de carga. Ficava bebendo e gritando “carpe diem” a espaços curtos de tempo. Às vezes erguia a caneca e brindava em nossa direção. Eu, hein?

A coisa seguiu assim por mais ou menos meia hora, até que decidi erguer a taça na direção do velho, também, e brindei a resposta para a frase dele:

- Memento Mori.

CRASH!!!

Era a caneca do velho quebrando no chão. Me amarro numa onomatopéia. Ele só ficou nos olhando com aquela cara espantada de quem vê pela primeira vez um prato de sushi, imóvel. Claro, comecei a me arrepender. Não tinha sido bonito. Mas fora instintivo, quase. Enquanto o velho gritava “aproveite o dia”, eu tinha respondido “lembre-se que morrerás”. Mas era a resposta, não era? As duas filosofias discordantes. Só que memento mori não deveria ser usada em um bar, ainda mais com um senhor que não precisava lembrar que memento mori. Pensei em pedir desculpas. Mas ele levantou e se dirigiu à nossa mesa:

- Você é da ordem?

- Não. Eu sou do caos. Sabe, tem essa teoria: a ordem tende a degenerar em caos, enquanto o caos sempre vai crescer a níveis mais complexos de entropia. Daí, acho que é melhor ficar do lado que está vencendo...

- Quero dizer da ordem dos segredos.

- Hã... não?

- Ah, desculpe. É que era uma das senhas que nós usávamos. Antigamente.

- Arram...

Tá, eu ia dizer o quê, então? Aliás, qualquer um que tenha visto meu quarto sabe que não sou muito de ordens... Depois, se começasse a concordar com o velho era capaz de ele me convidar a sacrificar uma cabra qualquer dia e eu, embora goste de churrasco, não valorizo muito o sangue. Exceto em morcilhas.

Mas era tarde: reminiscências tinham assaltado o cara:

- Sabe... nós nos reuníamos nesse lugar, tempos atrás. Esse bar nem tinha sido construído.

- Arram.

- Buscávamos conhecimentos perdidos. Vida longa, influência... mas já faz muito tempo...

- Arram.

- (Acho que esse velho tá a fim de ti.)

- (Calaboca.)

- Enfim, todos se foram. Só fiquei eu. Mas descobri algumas coisas no caminho...

- Arram.

- Bom, eu já vou indo. Prazer em conhecer vocês.

- Arram.

E foi isso. Dois meses depois meu amigo me liga, apavorado, dizendo que achou uma foto do velho, e eu sugeri que eles se procurassem, não existe essa história de certo ou errado, se duas pessoas se gostam. Daí ele apareceu com uma cópia da foto no outro final de semana, e datava de quase dois séculos atrás. Era o velho, embora a barba não estivesse tão comprida, nem tão branca. A legenda dizia: A Ordem dos Segredos – 1812. Dissidentes do positivismo no Rio Grande do Sul, com viés místico, a seita desfez-se e desapareceu na história.

Talvez por uma boa razão. Fica difícil esconder a imortalidade se você fica aparecendo na história toda hora. Voltei ao bar depois. Até enxerguei o velho outras vezes. Mas preferi não me aproximar muito. E você, faria o quê? Ademais, a ideologia positivista sempre pareceu com algo que o gato cospe no tapete, pra mim. Nem quero ouvir falar da dissidência.
Publicado originalmente no Farrazine #6. Baixe a edição aqui ou leia online aqui.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

FARRAZINE IMAGINE!

O GATO PRETO - Edgar Alan Poe & Kio




Palavras do próprio Kio sobre a obra:

" Em 1993, um chargista amigo meu, apresentou-me o conto “O Gato Preto”, de Edgar Alan Poe, e demonstrou vontade de quadrinizá-lo.

Infelizmente, ele não permaneceu no emprego e perdemos contato, mas eu mantive o desejo de adaptar a obra e, mesmo sem ter o talento pra desenho que ele tem, segui em frente.

Usei de várias “referências” (vocês irão notar) de outras HQs e, com nanquim e pincel, em 1998, finalizei a obra.

Os desenhos estão aquém da qualidade do conto, mas vale a pena ser lido, uma vez que é uma história fantástica.

Cheguei a imprimir 4 exemplares em uma laser A3 e mostrei para alguns amigos (nenhum foi indelicado a ponto de dizer que não gostou, mas... amigo é amigo, he he).

Agora com a facilidade da net, senti que era hora de apresentar para mais gente do que meia dúzia de “gatos pingados” (desculpem o trocadilho), e ei-la;
"

FARRAZINE 19

Fechamos o ano de 2010 destacando os artistas nacionais. Veja a prévia da HQ Natal – Terra de Ninguém, com roteiro de Miguel Rude e arte de Wendell Cavalcanti. Entrevistamos o renomado e premiado cartunista Jean Galvão e estivemos na Rio Comicon, trazendo uma cobertura diferenciada. Diretamente do site Papo de Gordo, conheça o personagem MorsaMan, com roteiros de Lucio Luiz e arte de Flávio Soares. Confira os últimos lançamentos da PADA para aumentar sua coleção de HQ’s. Temos ainda Clube da Luta, Janis Joplin, King’s Quest, contos e muito mais...
Publicado em 20.12.2010.


domingo, 19 de dezembro de 2010

Lançamento da coletânea "Jogos Criminais"

Jogos Criminais (Andross Editora)
Contos policiais
Organização: Sérgio Pereira Couto
Sinopse: Para o bem ou para o mal, a mente humana é capaz de realizar os mais notáveis feitos; o livre arbítrio é sua arma mais perigosa. Assim, o que faz com que uma pessoa se volte para o crime? Quais mecanismos são acionados quando surge o desejo – ou a necessidade – de fazer algo imoral, amoral, ilegal? Quando a alma é o campo de batalha entre a ânsia, o medo e a culpa, o resultado é imprevisível. 
Em Jogos Criminais, as verdades da natureza humana serão expostas sob a ótica de uma máfia de escritores dispostos a criar o crime perfeito.




Data: 15/01/2011, das 15 às 18 horas
Local: Biblioteca Viriato Correa de Literatura Fantástica
R. Sena Madureira, 298, Vl. Mariana, São Paulo, SP - Tel: 11 5573-4017

 ***

O detalhe especial desse lançamento é que tem a participação de dois de nossos colunistas... O Rafael Costa, "Hiro", e o Brenno Dias, o Agente Dias.

Um dos contos do livro foi publicado originalmente no Farrazine há muito tempo átras.

Bom, quando estivermos um pouquimho mais perto da data recordaremos o evento para todos que quiserem, e puderem, ir presenciar.


Vocês podem conhecer um pouquinho mais sobre os dois nos links abaixo:

Blog do Hiro


Blog do Agente


Um grande abraço a eles. Parabéns pelo lançamento!







sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

FARRAZINE ENTREVISTA; MAURÍCIO DE SOUSA

A edição 12 do zine trouxe a entrevista com uma das lendas vivas da infância de todo brasileiro. O pai da "Turma da Mônica"!!! 

Deixamos uma prévia da edição abaixo para vocês lerem, ok?


FARRAZINE – Mauricio, antes de mais nada, o FARRAZINE agradece a sua gentileza em nos conceder essa entrevista! Vamos começar com a pergunta que todo mundo sempre faz: você tinha alguma noção de que seu trabalho se tornaria praticamente a única experiência bem-sucedida e duradoura em quadrinhos no Brasil, além de um fenômeno cultural que atravessaria gerações, por mais de 40 anos?

MAURICIO – Meu desejo era planejar bem o lançamento das historietas, montar uma equipe, e ir galgando as etapas naturais dessa atividade: história em quadrinhos para jornais, revistas, depois desenhos animados, licenciamento, filmes para cinema, parques temáticos... Só não planejei a Internet. Não sou adivinho!...
Quanto ao sucesso... ninguém planeja sucesso. Planeja-se fazer um serviço bem feito. Que, se se mantiver, vira sucesso.

FARRAZINE – Hoje, você tem uma grande equipe trabalhando com você. Como era no começo? Você escrevia, desenhava, arte-finalizava e quadrinizava tudo sozinho? A gente precisava de um cara que nem você, aqui no FARRAZINE...

MAURICIO – No começo, eu fazia tudo sozinho. Inclusive, saía para vender. Daí, decidi optar por um trabalho de equipe, não um trabalho de autor. Era a forma de enfrentar a concorrência internacional, que dominava tudo.



FARRAZINE – Uma de nossas entrevistadas recentes, Jussara Nunes (que escreve, desenha e publica uma webcomic, "Turn to Fall", há vários anos, disponível no site http://hqexperimental.blogspot.com nos contou que seu sonho era "trabalhar com o Mauricio de Sousa". Qual o caminho que um artista ou escritor deve seguir para realizar esse sonho?

MAURICIO – Se desejar trabalhar conosco, terá que conhecer nosso estilo, desenho, tipo de roteiro (se quiser escrever), animação em computação gráfica...
Se quiser se dedicar à produção de historietas, tem que estudar os bons autores, copiar seus desenhos, observar bem o estilo – e ler. Ler muito. Instruir-se.

FARRAZINE – Os artistas e escritores que trabalham na sua equipe lidam com um universo e personagens pré-definidos. Quanta liberdade de criação eles têm? Há espaço para um trabalho mais autoral? Algum membro de sua equipe desenvolve trabalhos paralelos na área?

MAURICIO – Nossos artistas até podem desenvolver trabalhos fora do nosso estúdio. Mas eu prefiro que eles se dediquem à Turma da Mônica. É onde encontram boas condições para crescer.



FARRAZINE – Como você vê o fato recente de fãs poderem baixar da internet as manifestações artísticas de que gostam, inclusive HQs?

MAURICIO – Por trás dessa ação, às vezes carinhosa ou curiosa, há o perigo da pirataria, da dilapidação do direito autoral. Não vejo com bons olhos.

FARRAZINE – Falando sobre a Turma da Mônica Jovem, como surgiu a idéia de deixar os personagens "crescerem" (o que era um sonho de muitos leitores...)?

MAURICIO – Era um sonho meu, também! E daí, resolvi que iria fazê-los crescer, acrescentando o toque mangá, já que o público-alvo está consumindo este tipo de material.

FARRAZINE – Por que a opção pelo mangá? Aliás, levando-se em conta que a Turma da Mônica sempre teve olhos grandes, expressivos, e traços simplificados, características deste estilo, desde muito antes que se falasse em mangá no Brasil, você não acha que foi você quem influenciou os atuais aspirantes a mangakás?

MAURICIO – Não tenho essa pretensão... embora nosso material tenha sempre sido primo-irmão do mangá japonês.




FARRAZINE – Momento da crítica: entendemos a idéia de dar um argumento tipo mangá a histórias que se decidiu desenhar nesse estilo; mas você não acha que, nesses tempos de "High School Musical", poder-se-ia tratar mais das relações e dos problemas dos adolescentes em que a turma se tornou – o que é, de certo modo, o cerne dos argumentos da Turma da Mônica original, e não foge ao universo mangá – e não enveredar pelo caminho de nos "revelar" que os pais dos meninos, que nós sempre conhecemos como pessoas comuns, muito parecidos com os pais que temos e (no meu caso, ao menos) somos, eram encarnações de antigos samurais?!

MAURICIO – Fantasias necessárias num projeto novo... Para se firmar na qualidade e na polêmica. A Turma Jovem, aos poucos, vai encontrando o caminho natural.

FARRAZINE – A Turma da Mônica Jovem seguirá uma cronologia a ser respeitada (nos moldes das HQs de super-heróis e mangás em geral, em que um evento afeta a realidade, e permanece fazendo parte do "passado" dos personagens)?

MAURICIO – Nas nossas histórias, suavemente, sempre aconteceu isso. No atual estilo “mangá brasileiro” da Turma Jovem, isso pode ser mais evidente. E vai ser.

FARRAZINE – Depois de diversas experiências bem-sucedidas com filmes de animação, você não considera seguir o caminho trilhado por outros personagens de quadrinhos e fazer um filme live-action, com atores?

MAURICIO – Há estudos pra isso. Inclusive em Hollywood! A Editora Panini está intermediando.

FARRAZINE – A Mônica original foi criança e adolescente durante um tempo em que a Mônica dos quadrinhos já era um mito. Como foi a experiência de ser a "encarnação" de uma personagem adorada por tanta gente?

MAURICIO – Eu sempre tive cuidado para separar a ficção da realidade. A Mônica [real] começou a descobrir que era a Mônica do gibi depois que entrou no primário (hoje ensino fundamental). Daí, já havia estabelecido personalidade, comportamento, sua situação no mundo. E então, não havia mais perigo de desvios de personalidade.

FARRAZINE – Mauricio, obrigado de novo. E se você, um dia, quiser desenhar uma história em quadrinhos e não tiver onde publicar, é só procurar o FARRAZINE. Pra você, a gente dá um jeito...

MAURICIO – Obrigado. Até a próxima!


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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

WONDER YEARS


Sabe aquele sentimento de saudade - não uma saudade ruim, de querer estar perto de alguém e não poder, mas sim uma saudade gostosa, de saber que você esteve em algum lugar ou viveu algo, e saber que foi bom, e saber que aquilo passou, e que não pode mais voltar, mas ainda assim estar feliz, pois aquilo permanecerá imutável, lá no passado? Pois é assim que eu gosto de definir nostalgia.

"Crescer acontece muito depressa. Um dia, você está de fraldas, e no outro já está indo embora. Mas as lembranças da infância permanecem com você durante muito tempo. Lembro-me de um lugar... uma cidade, uma casa... Como todas as outras casas... Um jardim, como todos os outros...  numa rua, como todas as outras. E, depois de todos esses anos, eu continuo a me lembrar... com admiração."

Para quem não conhece, a série Wonder Years narra os eventos da vida de Kevin Arnold (Fred Savage), justamente a partir de seus 12 anos.

O mais bacana pra mim é que, quando pude acompanhar essa série, tinha a mesma idade do personagem e, mesmo a série baseando-se no final dos anos 60 e início de 70, conseguia me identificar com os desafios e alegrias mostrados na tela. Lembro de acompanhar os episódios com todos em minha casa, a cada dia! Posso dizer que era um momento prazeroso, um tempo bom de passar com os pais e irmãos.

A frase destacada acima é o texto de conclusão da série. Toda a série traz reflexões sobre a vida, a família. Mostra-nos como coisas simples são importantes, e devemos prestar atenção a cada momento, pois a vida passa muito depressa.

Recentemente, comecei a rever os episódios, desde o início, e me pego com os olhos cheio de lágrimas diversas vezes. Às vezes, rindo de mim mesmo, relembrando coisas parecidas às que vivi. Kevin Arnold tem um amigo inseparável, que é muito parecido a um amigo que tive na infância, e que veio a falecer. Não sei se por isso ou por outros dramas, me pego chorando várias vezes.

Mas, no fim, sempre é aquela saudade bacana que fica.

A série veio num momento crucial pra NBC, que estava quase pra fechar as portas. Foi quando Carol Black e Neal Marlense chegaram com o roteiro de "The Wonder Years". Depois do elenco escolhido e de cada detalhe da ambientação e locação estar acertado, rodaram o episódio-piloto, que nos apresenta a família Arnold, a vizinhança e todo o "American Dream", no melhor do seu "American Way of Life".

O piloto foi ao ar logo após um Super Bowl (como é conhecida a final da NFL), ou seja, o grande teste de audiência seria ali. E a série passou.

Tocando exatamente numa das feridas americanas, o drama da guerra do Vietnã. A série emplacou e mais 4 episódios foram encomendados. E depois mais uma temporada, e mesmo com os criadores da série deixando o projeto, eles conseguiram segurar a qualidade do roteiro, mantendo o mesmo elenco por 5 temporadas.

Mas algo era inevitável: os personagens cresceram, e tornaram-se adultos. A série então chegou ao fim e, assim como acontece na nossa vida, nem sempre é o fim que esperamos; e nem por isso deixa de valer.

Outro ponto forte da série é sua trilha sonora, com músicas da época da série. Vemos grandes clássicos do rock, o que não deixa de ser um mais um presente para quem assiste!

Veja uma prévia da abertura


É provavél que vocês já tenham visto um episódio, ou até a série. Deixo aqui o incentivo pra quem ainda não conhece: permita-se o prazer de vê-la e, e pra quem já viu... reveja!



Resenha escrita por Snuckbinks originalmente publicado no Farrazine #12

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

FARRAZINE ENTREVISTA; MIKE DEODATO

Na edição nº 8 do Farrazine tivemos a participação em uma entrevista com o Deodato Taumaturgo Borges Filho, mais conhecido como Mike Deodato, atual desenhista dos Secret Avengers, da Marvel, junto com o roteirista Ed Brubaker.

Na época, finalzinho de 2008, o Mike tava desenhando o Wolverine, e sua técnica de luz e sombra estavam cada vez mais impressionantes!


Lê aí uma prévia de como foi:


Farrazine - Você trabalhou com alguns dos mais destacados personagens das HQs, tem algum especificamente que você considera mais memorável?
Mike - Desenhar Wolverine é o ponto alto de minha carreira, tanto artísticamente, quanto pessoalmente. Sempre quis desenhar o baixinho  e finalmente estou tendo a chance. Estou produzindo as melhores páginas de minha vida nesta série.


Farrazine - Quais foram as primeiras HQs que você leu que lhe marcaram? Quais HQs lê hoje em dia? 
 Mike - Defensores foi a revista que mais me marcou. Eu adorava as histórias de Steve Englehart, com desenhos do Sal Buscema. Acho que eu tinha uns doze anos na época. Hoje em dia leio Alan Moore, Berardi, Miller, Gaiman, Morrison...




Farrazine - Você acha que os prêmios Eisner ganhados por Moon, Bá e Grampá, podem sacudir de uma vez por todas o mercado de HQ´s nacional?
Mike - Eles são extremamente talentosos mereceram o prêmio. Espero mesmo que isso sirva de incentivo pra outros criadores nacionais...



Farrazine - Quem foram suas principais influencias dentro das HQs?
Mike - A lista vai longe, mas eu citaria Eisner, Adams, Giordano, Wrightson, Gulacy e Steranko entre os principais.




Farrazine - Qual roteirista você mais gostou de trabalhar? E qual o que você ainda não trabalhou e gostaria de trabalhar?
Mike - Warren Ellis é o meu favorito, não de um ponto de vista pessoal, já que tivemos quase nenhuma comunicação, mas simplesmente porque ele escreve muito, muito bem. Eu gostaria de tranbalhar algum dia com  Moore, Miller, Gaiman, Millar.e Morrison.


Farrazine - Tem algum projeto novo Mike que possa contar pra gente?
Mike - Wolverine é meu mais novo projeto. Agora em Setembro saem meu primeiro número de Wolverine: Origins e um especial chamado Wolverine: Roar.




Farrazine - E o nosso zine, que cê achou do projeto?
Mike - Zine?? Vocês fazem um trabalho profissional! Parabéns! :)



 ***

Para continuar a leitura online e poder ver outras matérias do zine, clique aqui

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Roda de gaita

O evento gaita na rua, em seu primeiro ano, percorreu praças do Rio e SP, levando cultura e diversão para todos. Neste fim de ano vamos comemorar de forma diferente, em uma roda com de músicos de percussão. O Gaita na rua é um evento cultural, um bloco, uma seresta moderna, sei lá... difícil de dar um nome. Vamos tocar de tudo, samba, choro, baião, blues, coco e o que mais der vontade! E tudo isso puxado por uma gaita! É sempre uma supresa para todos! O evento é curto então não chegue atrasado.

Músicos:

Michael Arce - Gaita e sanfona
Marcello Teixeira - Caixa
Antonio Elia - Alfaia
Igor Iga - Pandeiro
Pedro Araújo - Sanfona

Local:

Arcos da lapa - Na direção da entrada do Circo voador
Sábado dia 11 as 18h.

Veja os vídeos do evento em:
http://gaitanarua.blogspot.com/

Filmes Trash

Com toda certeza você já ouviu falar nos famosos e criticados filmes trash. Se não ouviu, está perdendo... hum... como posso dizer? Diversão à beça ou bocejadas de sono! Confuso? Calma, eu vou TENTAR explicar...


O que são filmes trash?
Não há classificação exata para esse gênero, mesmo se tratando de um estilo muito antigo. Alguns classificam como trash os filmes ruins, sem roteiro, com efeitos especiais horríveis e produções baratas; outros discordam, dizem que são filmes cult feitos apenas para diversão; ultimamente os filmes trash também são classificados como produções amadoras feitas por aqueles que nem mesmo entendem do ramo. Mas algo é certo: ou se gosta, ou não passa perto. Não há meio termo quando se trata destes filmes.
Fora isso, poucas coisas mais podem ser ditas com certeza sobre eles, e aqui vão elas:
1°: Não minto quando digo que ou se gosta, ou nem passa perto.

2°: Nunca esqueça que são filmes de baixa produção (em sua maioria); assim, antes de assistir, tenha em mente a diversão, e não superproduções.

3°: Por que são chamados de trash? Levando-se em consideração o significado da palavra (lixo) e mantendo em mente as bases destes filmes, torna-se fácil a compreensão. Padronizados por roteiros ousados, apelativos ou sem sentido, abusam de efeitos de baixo nível e atores e diretores desconhecidos (o que causou a iniciação de muitos grandiosos de hoje).

4°: Como já foi dito, para muitas pessoas esses filmes são considerados apenas filmes ruins. Realmente, a maioria é horrível. Porém, creio que nunca me diverti tanto como quando era pequeno e assistia a pérolas como “O Ataque dos Vermes Malditos” na TV.

5°: Cuidado ao escolher o que assistir, esse gênero é composto por filmes B (baixa produção e feitos apenas para entretenimento), sendo assim, há desde aventuras contra monstros que aparecem do nada a erotismos (leia-se pornôs) sobre lutadores de Kung-Fu. Nunca fui fã desse segundo estilo. Aconselho o primeiro.

6°: Não é brincadeira, fique longe dos sádicos pornográficos.

De onde vieram os filmes trash?
Se ainda não conhecia este gênero aberto a discussões, certamente ao menos ouviu falar de filmes B. Baratos e visando apenas passar o tempo, continham roteiro fraco, seqüências sem explicação, “defeitos” especiais e histórias quase sempre iguais: protagonista que salva uma pessoa (ou várias ao mesmo tempo) de algum monstro sem lógica ou algum lunático com ainda menos lógica. Pensando bem, acho que os clichês mais famosos do cinema surgiram daí (como serial killers perseguindo grupos de jovens), mas não vem ao caso.
Descrevendo assim os filmes B, em muita coisa eles se assemelham aos “lixos”. Não é sem razão. O cinema trash surgiu dos filmes B, mas, após algum tempo, passarou a receber uma definição própria, pois enquanto filmes B agradam a muitos, seu sucessor parte pelo caminho inverso: poucas pessoas se agradam ao ver tomates com vida matando belas mulheres pelas ruas de uma cidade (Tomates Assassinos).

O eterno preconceito.
Facilmente se entende porque a aceitação de filmes no gênero em questão é difícil. Tomates que matam, peixes voadores que também matam (Piranhas: Assassinas Voadoras) ou zumbis que retornam por uma contaminação e se alimentam de cérebro (A volta dos mortos Vivos) obviamente não são do gosto de qualquer um.
Tudo bem até este ponto: sabemos que o diferente dificilmente é bem vindo. Porém, entre os primeiros a conhecer este gênero estavam aqueles que se tornaram fãs, e outros que juraram no pé da cruz nunca mais verem um filme desses. O problema é que não só escolheram não verem, mas também queriam que ninguém mais visse. Depredaram, classificaram como pior tipo de filme existente (tudo bem, não vou tirar a razão) e conseguiram até mesmo deixar o nome trash conhecido por filme horrível e sem graça. Horrível dá para entender... mas sem graça?
...
Mesmo a tradução da palavra leva a essa idéia lixo. Não se engane, há quem se divirta muito com estes filmes.
Apesar de todo esse preconceito, é possível que você (assim como eu) encontre alguns que farão você rir como nunca antes ou prendê-lo na cadeira até o ultimo minuto, e, depois, ainda lhe façam correr para a rede e baixar suas outras três continuações.
Vale apena se arriscar entre essa horda de filmes baratos e "nonsense".

Mas não se arrisque sozinho nesse mundo.
Como disse, há muita coisa diferente que acaba sendo classificada como um filme trash. Pessoalmente, gosto daqueles pelos quais conheci o gênero. Simples, com aventura, comédia e monstros, eu me contentava muito. Resumidamente, estou falando dos filmes que viviam de reprise no Cinema em Casa (SBT), que acabou em 2002.
Para não deixar que você se perca no gênero, aqui vai uma relação muito pessoal: aqueles que mais gosto (me concentrarei nos filmes de monstros peculiares que surgem com explicações ainda mais peculiares e por fim são derrotados).

O Ataque dos Vermes Malditos (Tremors - 1990): A história se passa em uma cidade no deserto de Nevada. Sem causa, motivo, razão ou circunstância (me processe, Chaves), vermes gigantes surgem sob a terra e atacam os únicos dez habitantes da cidade. O filme custou cerca de U$11 milhões, o que é comum entre trashs. Teve três continuações e um seriado.
É, em minha opinião, um dos melhores filmes do gênero.
Diretor: Ron UnderWood.

Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London - 1981): Considerado por muitos até hoje o melhor filme de lobisomem já feito, esta inesquecível produção toma por base a história de dois jovens americanos que são atacados por um lobisomem. No dia seguinte ao ataque, aquele que permanece vivo descobre que agora carrega a maldição. Este filme é considerado um dos maiores trashs de todos os tempos e é cheio de terror e doses de humor-negro.
Tenho preferência pela continuação, Um Lobisomem Americano em Paris.
Diretor: John Landis.

O Ataque dos Tomates Assassinos (Attack of the Killer Tomatoes - 1978): Uma das idéias mais absurdas de filmes trashs já vista: tomates com apetite assassino que crescem e se tornam cada vez mais poderosos... Pausa para montar uma imagem na cabeça.
...
Tudo bem, sei que é quase impossível. Por isso, se está com um pingo de curiosidade, procure pelo filme e ria o quanto puder. Possui três continuações.

A Volta dos Mortos Vivos (The Return of the Living Dead - 1985): Vai além de clássico, é imperdível para aqueles que querem conhecer o trash. Mortos que voltam à vida e precisam se alimentar de cérebros. Sim, só isso, mais nada. Mas tenha certeza, é o suficiente para rir e assistir esse clássico. Altamente recomendado. Quatro continuações.
Diretor: Dan O’Bannon.
 
A Bolha Assassina (The Blob - remake 1988): Uma das cenas inesquecíveis dos filmes antigos vem deste, pessoas fugindo assustadas do cinema enquanto uma gosma vermelha os segue em sua lentidão. Vale a pena conferir (há versões de 58, 72 e 88, vi apenas a última, aparentemente, manteve-se fiel ao original).
Diretor: Irving H. Millgaites.

Para quem quiser conferir mais: Brinquedo Assassino (os dois primeiros realmente se prendem ao terror, mas o terceiro e o quarto filme são totalmente trash), Christine, O Carro Assassino, Alligator, Convenção das Bruxas, Monstro do Armário e Piranhas: Assassinas Voadoras.
É valido repetir que citei aqui aqueles que me agradam, sendo assim, não deixe de ir além - caso se interesse pelo assunto.
Claro, se quiser explorar mais os inúmeros filmes trash, há os clássicos aclamados por todos. Evil Dead e Bad Taste estão entre os mais reconhecidos.

Curiosidades sobre atores e diretores:
_Peter Jackson, conhecido por dirigir a trilogia Senhor dos Anéis deu inicio a sua carreira com Bad Taste, um “Best-seller” dos trashs.
_John Landis, diretor de Um Lobisomem Americano em Londres também é responsável pelos clipes Thriller e Black or White do aclamado Michael Jackson.


Por Murilo Alves Perin - MAP

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O QUE VEM POR AÍ!

CONTO URBANO
por Invinoveritas - prévia do que virá no Farrazine#19

 



Aquela armadilha pseudológica e sem sentido nenhum continuava insistindo em vir à tona em minha consciência: 

“Estou à beira do mar. O mar é um abismo. Logo...” 

E olhava para diante, para as ondas, indeciso entre pular para junto de meus primos e ficar por ali mesmo, assobiando covardemente. Claro, não há perigo nenhum em pular no mar de cima de uma rocha metro e meio acimal se o lugar tiver uma certa profundidade e você saiba nadar. Era algo que coçava, que me avisava atrás da esquina de meus sentidos. Um perigo.

“Pula, pula!”

Gritavam os canalhas. Eu me senti um suicida. Talvez isso explique a minha alegria selvagem ao me lançar no ar e cair nas ondas. 

Um pontinho perfeito. 

Fendi as águas com graça (acho eu), a resistência da água diminuiu a minha queda até a interromper, eu voltei para a superfície e limpei os olhos. Sorria, orgulhoso. Um rapaz de treze anos tem que provar sua coragem constantemente a seus amigos e familiares. 
Só que não era o medo que me prendia à pedra, então. Era o conceito do mar. Sua grandeza. Como ter Deus na sua frente, imensurável. 

E aí? Como fazer? (E aí, Deus? Dia gostoso, né?) 

Mas estava aliviado. A água me envolvia, a temperatura era deliciosa, a sensação agradável, mesmo que estivesse turva.

Relaxei. 

Imagine a minha surpresa ao ver os olhares aterrorizados dos outros, apontando algo atrás de mim e gritando, gritando algo que eu não conseguia entender porque meus ouvidos estavam cheios d´água, que eu só pesquei o final da frase...

***

A estória continua na edição 19 do Farrazine disponível na próxima semana para download.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O nerd e a referencialidade

É mais que sabido que temos, hoje em dia, na sociedade, uma cultura de convergência de mídias, tendências e gostos, e deve ser por isso que os nerds estão mais do que na moda (o “Fantástico” que o diga). Mas, se pensarmos, o que é a moda para o nerd? O que lhe chama tanto o interesse? Não, não falarei aqui de roupas para se usar em cosplay, nem camisas com estampas de heróis, mas de uma estratégia do mercado de cultura pop, que vem funcionando muito bem para chamar a atenção dessa parcela de seres (anti-) sociais, e que faz com que eles comprem mais e mais algo que é lançado: a auto-referencialidade, ou melhor, como os quadrinhos levaram para dentro de si a convergência midiática.

Para início de conversa, irei citar um exemplo de obra que, com certeza, 11 de 10 fãs dos quadrinhos devem conhecer, e que tem bem explícito esse artifício da referencialidade: “Planetary”, de Warren Ellis. A história trata de um grupo de pessoas com poderes especiais que catalogam, como arqueólogos, a “história oculta da humanidade”, uma história com raízes fortes na cultura pop. Portanto, como disse o João Felipe do site Sobrecarga, “espere de cada aventura de ‘Planetary’ citações e referências ao mundo do cinema e das histórias em quadrinhos. Nas palavras do mestre Alan Moore: ‘Warren Ellis e John Cassaday fabricaram um engenhoso mecanismo com o qual podem explorar as possibilidades de nossa situação contemporânea’. Isto é, resgatar elementos do passado, dando-lhes um novo encaminhamento e apontando para um possível futuro da nona arte.”

Essa sentença mostra bem o que quero discutir aqui: como, nessa primeira década do século XXI, o recurso de uma mídia fazer referência a outra, ou a si mesma, está sendo muito utilizado para ser um atrativo a mais para quem compra. “Planetary” e suas inúmeras citações visuais, escondidas ou não, gerou enxurradas de discussões em fóruns, teorias e até um guia, fomentando a curiosidade de quem não conhecia, e aumentando o interesse de quem, já na primeira edição, se tornou fã. Ou seja, Ellis sabiamente usou o gosto pelo saudosismo e colecionismo do passado dos leitores para prender suas atenções.

Estratégia também utilizada por Grant Morrison na sua mega-saga “Crise Final”, que muitos alardearam ser “arrogante, presunçosa e complexa” demais, o que até tem sua lógica mas, antenado com os novos tempos e leitores, Morrison criou uma verdadeira caça a símbolos escondidos, histórias esquecidas e revivals por parte dos fãs do Universo DC. Na verdade, o escritor já faz esse tipo de coisa desde seus tempos de “Homem-Animal” e “Patrulha do Destino”, só que, então, era mais com personagens “sumidos”. Ampliou tudo isso em “Crise Final” e em sua passagem pelo Batman, alimentando a fome de um leitor de quadrinhos que vive na velocidade e interconexão de uma vida cibernética, de wikipédias e cultura participativa, um verdadeiro Leitor 2.0.

Acho que qualquer pessoa ligada às novidades desse mundinho virtual já tinha percebido que instigar o público com a lógica de pesquisa e “caça ao tesouro” é lucrativo, os produtores de “Lost” que o digam. Tanto que produtos audiovisuais, como a série “The Bing Bang Theory” e o recém-lançado filme brasileiro “Apenas o Fim”, usam e abusam da capacidade nerd de se interessar por coisas que fazem referência aos seus gostos, explorando bem um filão de consumo que, até pouco tempo, era simplesmente renegado pela mídia e o capital.

Por Marcelo Soares - Revisado por Revisor Fantasma - FARRAZINE 13

REPÚBLICA DOS QUADRINHOS

Não precisamos esperar para ter mais uma convenção de Quadrinhos na Cidade Maravilhosa.
Depois do Comicon, no Rio de Janeiro, o 6º Encontro Anual de Cartunista é o evento cultural mais importante no fim de ano carioca.

A primeira parte dessa reunião foi realizada no passado dia 4 de dezembro com muito sucesso e presença de vários cartunistas promovendo uma das mais bonitas manifestações artísticas no Rio.

Quem perdeu a oportunidade de ir pode aproveitar esse sábado para conferir as exposições de charges, camisetas, caricaturas ao vivo e etc, que estarão no Sindicato do Chopp – Rua Farme de Amoedo – 85 – Ipanema – RJ à partir das 14 horas.

O Beto Potyguara, do blog República dos Quadrinhos, vai estar lá em nome da associação ABAS (Associação Brasileira de Artes Sequenciais).

Aconselho quem não conhece o trabalho deles a visitar o blog Tirando Uma que está repleto de trabalhos legais de estilos mais variados.

O 6º Encontro Anual dos Cartunistas “Pro Ano Não Morrer na Praia” será composto de 100 charges e cartuns de 51 cartunistas do Rio de Janeiro e de outras partes do Brasil!

Fonte -  República dos Quadrinhos

Hotel Califórnia


Hotel Califórnia



Com a letra bem abstrata, não demorou a surgir muitas teorias em relação à letra da música, desde que o Hotel Califórnia seria um prostíbulo, até a versão mais difundida de que se trata de uma igreja do diabo.

No entanto em uma entrevista, os integrantes do Eagles afirmaram que a música fala sobre os efeitos das drogas.

E de fato, "Hotel Califórnia" foi o nome dado ao "Camarillo State Hospital", localizado no Município de Ventura, entre Los Angeles e Santa Bárbara, que esteve em operação de 1936 a 1997. Durante o seu apogeu entre as décadas de 1950 e 1960, o Hospital estava na vanguarda do tratamento de pessoas com problemas mentais. Exemplo disto foram os procedimentos médicos desenvolvidos para a esquizofrenia. Muitos destes programas iniciados no "Camarillo" ajudaram pacientes, anteriormente relegados a uma vida de confinamento em uma instituição, serem capazes de sair do hospital e se tornarem (pelo menos quase) independentes. O Hospital continuou a ser um líder na pesquisa de medicamentos e terapias nos anos subseqüentes. Fora um dos primeiros a lidar com autismo.

O hospital encerrou suas atividades em final de Junho de 1997 com os pacientes, pesquisas e instalações movidas para outros locais. Devido à proximidade com a mídia de Los Angeles, foi referido em filmes, televisão e música. Alguns famosos que sofreram de doenças mentais, tuberculose ou desintoxicação por drogas ou álcool, estiveram lá para se recuperar. Charlie Parker Jr. escreveu, enquanto esteve se desintoxicando do vício de heroína, "Relaxing in Camarillo".

"Camarillo" foi destinado a se transformar em uma prisão, contudo, por interesse da comunidade, hoje é a Universidade do Estado da Califórnia. A maioria dos edifícios do Complexo foram preservados e restaurados, inclusive a torre com sino das missões, original de 1930, que é referenciado nesta música, entre outros.


De fato vemos muitas referências sobre as drogas na letra...
Por exemplo:

"Você pode desocupar o quarto a qualquer hora que deseje, Mas você nunca pode ir embora!".

Seria o mesmo que mostrar se torna dependente das drogas pode até dar um tempo, mais na real, nunca conseguem se libertar por completo. E é isso que se aprende no AA, você está curado, desde que não de o primeiro gole.

Tiffany, seria a personificação da droga, ela tem muitos amigos (dependentes), que a usam para:

"Como eles dançam no pátio, doce suor de verão, Alguns dançam para lembrar, alguns dançam para esquecer."

Afinal uns usam drogas por prazer, outros para esquecer o sofrimento do cotidiano real...

"Minha cabeça ficou pesada e minha visão ficou turva, Eu tinha de parar por causa da noite."

Dizem que isso acontece com quem está em crise de abstinência...

"Este poderia ser o Paraíso ou este poderia ser o Inferno".

De inicio é tudo muito bom, mais quando a dependência pega é que começa o problema...

"Cheiro ardente de baseado, se arguendo pelo ar. Mais afrente na distância, eu vi uma luz cintilante."

Um sonho onde o cara fica preso, uma alucinação, uma clinica pra dependentes...

Mas no final, não se surpreenda e nem tente entender muito. A maioria dos clássicos do foram compostos sob efeito de inúmeras substâncias ilícitas, que sabe lá o que esses malucos faziam.

Clique na foto abaixo para conhecer o verdeiro Hotel Califórnia.

Hotel Califórnia

Robin Hood, de Ridley Scott

Tenho uma lista gigantesca de filmes para assistir, por isso acabei conseguindo ver Robin Hood esse fim de semana.

Acredito que esse diretor acaba imprimindo na tela uma veracidade muito maior em seus filmes, não me refiro à proximidade histórica dos fatos, mas sim nas cores, nos figurinos.

Por exemplo,nos deparamos com um Rei Ricardo Coração de Leão, que embora posua grande habilidade de liderança, ainda em sua essência na mais é que um guerreiro, e portanto vive como tal, imundo e descabelado, após os 10 anos em campanha.

Vi pessoas fazendo defesas acaloradas sobre a versão anterior da história, que era praticamente um crime essa versão nova. Eu também gosto do anterior, assisti pelomenos umas 10 vezes, mas vendo hoje, aquela versão é bem fantasiosa, praticamente uma dramatização da lenda.

Já, nesse novo vemos os elementos de uma algo mais plausível. A idéia de que eles acabaram tomando o lugar dos verdadeiros cavaleiros, fazendo-se assim passar por nobres, é muito mais coerente com o conteúdo histórico daquele período, onde de fato quem se dava melhor era o mais esperto.

Mas isso é apenas o que eu achei do filme, o que vocês acharam?

Godzila bravo

Kaiju é o nome em japonês dos filmes de monstros gigantes. O mais famoso dos filmes de monstros gigantes aqui no Ocidente é Godzilla. Acredito ser interessante saber um pouco mais sobre um evento ocorrido um pouco antes do lançamento do filme e que pode ter influenciado seu impacto de maneira decisiva.

Em primeiro de março de 1954, os EUA realizaram um teste com um artefato nuclear no atol de Bikini, no Pacífico. O teste foi mal calculado e a explosão foi um “pouco” maior do que a esperada, provocando uma chuva atômica branca sobre a força naval de 10 mil militares reunidas para observação, em um lugar (esperava-se, antes da coisa acontecer) seguro. O teste, cujo nome-código era Bravo, criou uma cratera de 75 metros de profundidade e dois quilômetros de diâmetro.

Em dois de março, meteorologistas norte-americanos foram retirados de uma ilha distante 213 quilômetros da detonação. Dois dias depois, começaram a ser evacuados os habitantes da ilha Rongelap, localizada a 144 quilômetros do teste. Flocos radioativos “nevaram” sobre a ilha apenas quatro horas depois do teste e formaram uma camada sobre o solo de alguns centímetros. Inocentes do perigo, os habitantes logo passaram a sofrer de diarréia, vômitos, queimaduras na pele, perda de cabelo, hemorragias. Sintomas similares aos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki.

Duas semanas mais tarde, o governo norte-americano ainda mantinha o assunto oculto. Mas um pesqueiro japonês chamado Fukuryu Maru retornou ao porto de Yaizu. Eles estavam a 150 quilômetros a leste do atol, bem afastados da área de segurança do teste. Mesmo assim todos os 23 membros da tripulação sofriam com os efeitos da radiação. Eles viram o clarão da explosão e, três horas depois, uma tempestade de “neve” cobriu o convés. Intrigados e com vontade de fazer uma lembrança, alguns tripulantes guardaram aquela coisa em garrafas (o que me lembrou o caso do Césio 137 em Goiás). Depois lavaram o convés do navio, certamente salvando suas vidas. A situação provocou pânico no Japão: Toneladas de pescado foram destruídas; sindicatos, políticos e jornais exigiam o fim imediato dos testes que continuaram a se realizar no Pacífico.

Em novembro de 1954, estreou nos cinemas japoneses o filme Gojira ou, como conhecemos por aqui, Godzilla. O livro “Homens do Fim do Mundo”, de P. D. Smith (de onde retirei esta história) afirma que Godzilla foi inspirado em um filme B norte-americano de 1953 (um dinossauro é despertado por testes nucleares e ataca Manhattan). Segundo o autor, existem claras referências a este episódio do teste Bravo: no início de Godzilla, a tripulação de um barco testemunha o surgimento do monstro e os sobreviventes avisam sobre a criatura. Pessoalmente, acho um prazo apertado para uma inclusão no roteiro, mas como não entendo nada de cinema... Quem sabe?

Além da explosão acordar a besta de seu berço esplêndido, ela tornou o monstro radioativo. No filme, contadores Geiger eram usados em suas pegadas gigantescas. Produtores do filme confirmaram o objetivo de criar uma “cara monstruosa” para a bomba atômica. E conseguiram: O filme foi um sucesso no Japão, pessoas assistiam em silêncio, muitas saíam do cinema chorando, as lembranças de Hiroshima e Nagasaki ainda frescas na cabeça.

Na realidade, quando se percebeu que o objetivo dos militares norte-americanos era realmente jogar uma bomba atômica sobre cidades japonesas, uns poucos cientistas tentaram fazer abaixo-assinados e até propuseram que se fizesse uma demonstração “pública” para dar ao inimigo a chance de rendição. Ninguém escutou, envolvidos que estavam no esforço de guerra e na ânsia de mostrar aos soviéticos sua força. O livro relata os esforços de um dos criadores da bomba, Leo Szilard, em divulgar os catastróficos efeitos de uma guerra nuclear e na possibilidade de que uma única bomba pudesse envenenar todo o globo e exterminar a vida na Terra (com exceção, como se sabe, das baratas).

O teste Bravo esclareceu com maior veemência que o vento nuclear era um perigo real. Infelizmente, nada como um caso prático como este do Teste Bravo para surtir mais efeito. Anos depois, em 1957, os argentinos Héctor Germán Oesterheld (nos roteiros) e Francisco Solano López (nos desenhos) criaram a apavorante e sensacional história “El Eternauta” (há rumores de que vem um filme por aí) que inicia com uma estranha neve fosforescente que desaba durante uma madrugada eliminando a maior parte da vida no mundo.

A mesma idéia reside na “bomba suja” que é um dos maiores medos do governo norte-americano. Um grupo terrorista poderia criar uma única bomba capaz de realizar um estrago sem precedentes e no mundo inteiro. Uma guerra na periferia do mundo (entre Paquistão e Índia ou entre as Coréias) pode despertar este monstro. Apesar de seu tamanho, Godzilla ainda espreita nas sombras.

Por Brontops - Revisão Aluada - FARRAZINE 11

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